Páscoa. Durante a Missa da Ressurreição, vi o Senhor em beleza e esplendor, que me disse: Minha filha, a paz esteja contigo! – abençoou-me e desapareceu, e a minha alma foi inundada de alegria e felicidade indescritíveis. O meu coração fortaleceu-se para a luta e para os sofrimentos. Editora Apostolado da Divina Misericórdia. [Diário de Santa Faustina nº 1067]. Jesus eu confio em Vós.
EVANGELHO – Mt 13,24-43
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
Jesus disse às multidões mais esta parábola:
“O reino dos Céus pode comparar
-se a um homem
que semeou boa semente no seu campo.
Enquanto todos dormiam, veio o inimigo,
semeou joio no meio do trigo e foi-se embora.
Quando o trigo cresceu e deu fruto,
apareceu também o joio.
Os servos do dono da casa foram dizer-lhe:
‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo?
Donde vem então o joio?
Ele respondeu-lhes: ‘Foi um inimigo que fez isso’.
Disseram-lhe os servos:
‘Queres que vamos arrancar o joio?’
‘Não! – disse ele –
não suceda que, ao arrancardes o joio,
arranqueis também o trigo.
Deixai-os crescer ambos até à ceifa
e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros:
Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar;
e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’”.
Jesus disse-lhes outra parábola:
“O reino dos Céus pode comparar-se a um grão de mostarda
que um homem tomou e semeou no seu campo.
Sendo a menor de todas as sementes,
depois de crescer, é a maior de todas as hortaliças
e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos”.
Disse-lhes outra parábola:
“O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento
que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha,
até ficar tudo levedado”.
Tudo isto disse Jesus em parábolas,
e sem parábolas nada lhes dizia,
a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta,
que disse: “Abrirei a minha boca em parábolas,
proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo”.
Jesus deixou então as multidões e foi para casa.
Os discípulos aproximaram-se d’Ele e disseram-Lhe:
“Explica-nos a parábola do joio no campo”.
Jesus respondeu:
“Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem
e o campo é o mundo.
A boa semente são os filhos do reino,
o joio são os filhos do Maligno
e o inimigo que o semeou é o Demónio.
A ceifa é o fim do mundo
e os ceifeiros são os Anjos.
Como o joio é apanhado e queimado no fogo,
assim será no fim do mundo:
o Filho do homem enviará os seus Anjos,
que tirarão do seu reino todos os escandalosos
e todos os que praticam a iniquidade,
e hão-de lançá-los na fornalha ardente;
aí haverá choro e ranger de dentes.
Então, os justos brilharão como o sol
no reino do seu Pai.
Quem tem ouvidos, ouça”.
Palavra da Salvação. Glória a Vós Senhor.
19/07/2026 16º DOMINGO. Dia de Oração, dia de Missa e Eucaristia.
No Evangelho deste 16° Domingo do Tempo Comum, Nosso Senhor conta e explica a parábola do joio e do trigo, que serve como uma ótima chave de leitura para toda a história da Igreja.
Afinal, no seio da Igreja, Deus lançou a semente da fé, e o maligno semeou o joio da heresia.
Deus é paciente, porque sabe que todos os corações, até os mais desesperançados, podem mudar a tempo e dar bom fruto.
A imagem do campo em que a boa semente do Evangelho foi lançada generosamente, mas onde o inimigo semeou joio, convida-nos a pensar na Igreja, que “no seu próprio seio encerra pecadores, é simultaneamente santa e chamada a purificar-se, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação- ensina o Catecismo. Todos os membros da Igreja, inclusive os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores. Em todos eles, o joio do pecado encontra-se ainda misturado com a boa semente do Evangelho até ao fim dos tempos. A igreja reúne, pois, em si, pecadores abrangidos pela salvação de Cristo, mas ainda a caminho da santificação”
De fato, a parábola do trigo e do joio aborda o problema da coexistência do bem e do mal. “Está claro: o campo é fértil e a semente é boa- comentava Sto Escrivá; o Senhor do campo lançou às mãos cheias a semente no momento própício e com arte consumada; além disso, preparou toda uma vigilância para proteger a recente sementeira. Se depois apareceu o joio, é porque não houve correspôndencia, já que os homens, os cristãos especialmente, adormeceram e permitiram que o inimigo se aproximasse”.
D.Javier Echevarría convida-nos a considerar que “esta realidade tem de mover-nos à contrição, à dor de amor, à reparação, mas nunca ao desalento ou ao pessimismo. Ao mesmo tempo, consideremos que já agora, na terra, o bem é maior que o mal, a graça é mais forte que o pecado, embora às vezes a sua ação seja menos visível.”
A parábola de Jesus deixa claro que o mal não vem de Deus, mas do inimigo, o maligno, que é astuto e semeia o mal no meio do bem, de modo que é difícil separá-los claramente, embora o justo Juiz seja capaz de fazê-lo. Mas não há necessidade de esperar que uma intervenção imediata pare o mal, porque Deus é paciente e misericordioso.
Os servos estão impacientes para arrancar o joio, mas “ao contrário, Deus sabe esperar. Ele olha o “campo” da vida de cada pessoa com paciência e misericórdia: vê muito melhor do que nós a sujidade e o mal, mas vê também os germes do bem e espera com confiança que eles amadureçam. Deus é paciente, sabe esperar. Como isto é bom! O nosso Deus é um Pai paciente que nos espera sempre, que nos aguarda com o coração na mão para nos receber e perdoar. Perdoa-nos sempre se formos ter com Ele.”
Deus é paciente porque sabe que, mesmo o coração que está manchado há muito tempo por muitos pecados, pode mudar e dar bons frutos. Sto Agostinho, comentando essa parábola, contribui com a sua experiência como pastor de almas e verifica que “muitos, 1º são joio e depois tornam-se trigo bom”, de modo que é necessária paciência saudável, que não é indiferença ao mal: “Se eles, quando são malvados, não fossem tolerados com paciência, não chegariam à mudança louvável.”
( Sto Agostinho)
O dono do campo não confunde o bem com o mal. Ele
Sabe o que é saudável e o que é prejudicial à saúde, mas não permite que os servos se precipitem para dar tempo à misericórdia. Jesus ensina-nos a moderar o ímpeto e a saber aguardar: o que é mau pode transformar-se em algo bom. A conversão é possível e sempre há esperança de que isso aconteça.
( Francisco Varo- OD)



















