terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A direção espiritual toca na dimensão pessoal.


Oh! se desde o inicio tivesse tido um diretor espiritual, não teria desperdiçado tantas graças divinas. Um confessor pode ajudar muito à alma, mas pode também estragar muita coisa. Oh! nas almas de seus penitentes; isso é muito importante. Pelas graças concedidas à alma pode-se conhecer o grau de sua intimidade com Deus. [Diário de Santa Faustina nº 35]. Jesus eu confio em Vós!
DIRETOR ESPIRITUAL
A direção espiritual toca na dimensão pessoal, por isso é importante que ela seja presencial. A distância sempre trará certa dificuldade à comunicação, impedindo vários fatores no contexto da direção. A não ser no caso de uma pessoa que já tenha começado esse caminho há um bom tempo e, por isso, pode continuá-lo via internet, devido ao tempo de conhecimento já adquirido entre o diretor e o dirigido. Mesmo assim, será necessário um momento presencial entre eles.
Esse trabalho de direção espiritual é a condução da alma para Jesus Cristo, porque ninguém segue esse caminho sozinho. Ninguém “se resolve” sozinho nem tem todas as respostas, não é autossuficiente. É preciso enxergar a vida, os conflitos e também os benefícios que precisam ser trilhados com a ajuda de alguém que nos leve ao crescimento e à vivência das virtudes. O diretor espiritual é aquele que ajuda a pessoa na descoberta da vontade de Deus para ela.
Quem pode ser diretor espiritual?
Não é necessário que seja somente um sacerdote para dirigi-la espiritualmente. Pode também ser um religioso, um monge, um consagrado e até mesmo um leigo. No entanto, é preciso que haja clareza e preparo nessa questão, além de outros requisitos.
São Francisco de Sales afirma que existem três qualidades fundamentais para o diretor espiritual: a caridade, a ciência e a prudência. A caridade consiste em dispensar tempo para atender a pessoa que precisa de direção. Ciência, porque requer conhecimento espiritual, estudo sobre a vida dos santos e sobre as realidades da alma, justamente para conseguir identificar as questões íntimas que a pessoa vive e discernir qual caminho ela deve seguir. A prudência também é necessária nesse caso, a fim de que a direção espiritual não se torne um “mero trato de dois amigos” que partilham algo.
Dirigir alguém espiritualmente não é simplesmente fazer uma partilha da alma, mas um momento no qual eu “abro” a minha alma para me deixar conduzir. Muitas vezes, essa condução não será de acordo com as nossa vontade. O diretor espiritual precisa ter o cuidado de não atrair a pessoa para si, ou seja, passar a ser referência na vida dela. Pelo contrário, ele precisa fazer a pessoa crescer em Jesus Cristo com elementos para que possa discernir a própria vida. O diretor espiritual não deve “decidir” a vida da pessoa, mas conceder esses elementos para que ela possa tomar suas próprias decisões.
Crescer na fé
O principal benefício dessa prática consiste em crescer na fé e na intimidade com Deus. Santo Agostinho afirma: “Eu quero conhecer-me para humilhar-me e quero conhecer-Te para amar-Te”. Então, na direção espiritual, há esses dois conhecimentos: quem somos nós e quem é Deus.
É importante que os atendimentos aconteçam, ao menos, uma vez por mês, dependendo da necessidade do dirigido. É evidente que se a pessoa estiver enfrentando conflitos mais sérios, ela talvez necessite de um tempo menor entre uma direção e outra.
Sempre será preciso que o diretor traga firmeza paterna para corrigir a pessoa nos seus defeitos e nas suas dificuldades. A direção espiritual não pode ser conduzida pelo “respeito humano”, quando o diretor não fala o que precisa ser realmente dito com receio de que o outro se sinta ofendido. Esse processo precisa acontecer com sinceridade e transparência.
Quem está sendo dirigido precisa ser obediente. Se não houver docilidade, as orientações não serão colocadas em prática. É preciso levar a sério os conselhos dados pelo diretor e comprometer-se com eles. Muitas vezes, ele toca nas feridas do coração, o que causa muita dor. Mas é melhor a dor que liberta do que a covardia da ferida escondida, que nunca é tocada, nunca é mexida, e que está ali doendo e influenciando a vida daquela pessoa. O diretor espiritual é um instrumento nas mãos do Espírito Santo. É importante também que ele seja sempre alguém discreto, que não exponha ninguém, saiba guardar sigilo e tratar o “sagrado” que as pessoas trazem dentro de si. Ele é um especialista na alma, nas coisas do espírito.
Traga, no seu coração, o desejo de rezar pelo sacerdote que o dirige e pelas pessoas que são referência para você. Reze por aquele que dirige a sua alma, que o aconselha nas situações, pois o dom da sabedoria se encontra sobre ele. Que Deus o favoreça nesse desejo de crescer espiritualmente e amadurecer na fé; dessa forma, encontrar a fortaleza necessária para enfrentar certas coisas na vida. É importante buscar esse crescimento e mergulhar na espiritualidade profunda. Que o Senhor possa lhe providenciar um diretor espiritual, para que você realmente se comprometa com ele dentro desse processo de crescimento e amadurecimento.
Pela intercessão da Virgem Maria, abençoe-vos o Deus Todo-poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.
Padre Eliano Luiz Gonçalves, SJS
FONTE: http://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/quem-deve-ser-o-diretor-espiritual/

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