sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Maria socorre as almas do Purgatório.

"Ó Maria, minha doce Mãe, Entrego-Te toda minha alma, meu corpo e meu pobre coração, Seja a guardiã da minha vida, especialmente na hora da morte, na última luta.” [Diário 161]. Jesus, Maria, salvai as almas!
  Maria pode socorrer as almas

Um dia, escreve Santa Brígida nas suas Revelações, disse-me a Virgem Santíssima:
— “Eu sou a Rainha do céu, eu sou a Mãe de misericórdia, e o caminho por onde voltam os pecadores a Deus. Não há pena no purgatório que não se alivie e que por mim não se torne menor do que si o fora sem mim”. Outra vez a Santa ouviu Jesus dizer à sua Mãe: “Tu és minha Mãe, és a Rainha do céu, és a Mãe de misericórdia, és o consolo dos que estão no purgatório e a esperança dos pecadores na terra”. A providencia maternal de Nossa Senhora se estende sobre seus filhos na terra e no purgatório. Ela nos socorre e ajuda até depois da morte nas chamas expiadoras. É uma verdade de fé que as almas do purgatório podem ser não só aliviadas em seus padecimentos, mas até libertadas das chamas expiadoras pelas orações, satisfações e boas obras, e pelo Santo Sacrifício da Missa, enfim, pelos sufrágios dos vivos. 

Segundo Santo Tomás de Aquino, duas coisas concorrem para que o sufrágio dos vivos aproveitem aos mortos: a caridade que une a todos, e a intenção que tem eles de socorrer os mortos. Quanto ao primeiro, nenhum meio existe maior de um vínculo de caridade que o Santo Sacrifício da Missa, o Sacramento que é o vínculo dos fiéis da Igreja. Quanto à outra, a oração, tem a vantagem de levar nossa intenção diretamente a Deus quando se invoca a Divina Misericórdia.
Ora, quem pode negar que os Santos do céu já purificados, possuam a caridade em estado de perfeição na glória e a intenção reta de ajudar às benditas almas sofredoras? Quem melhor do que eles conhece o sofrimento daquelas almas? Não há dúvida, os Santos na glória podem e socorrem as almas do purgatório. Quanto mais a Rainha dos Santos!

Pois se Maria tem todo poder no céu e na terra, se é Mãe dos remidos, Mãe de Deus, não há de poder socorrer como e quando queira os seus filhos da Igre­ja padecente?
Sim, não há teólogo seguro que o conteste, e a tradição de tantos séculos confirma esta consoladora verdade: Maria socorre seus fiéis servos depois da morte. Estende até o purgatório seu manto protetor de Mãe e Refúgio dos pecadores.

Como socorre Maria as almas sofredoras?

Há muitas maneiras do poder misericordioso de Maria socorrer às benditas almas padecentes. O pri­meiro meio e mais frequente, diz o Pe. Terrien, S. J. é o pensamento e a vontade que inspira aos fiéis ainda vivos neste mundo, de orar, sofrer e trabalhar pela libertação das pobres almas. Quantos de­votos de Nossa Senhora não sentem de repente uma inspiração, um desejo de sufragar os seus mortos queridos ou o desejo de trabalharem pelo sufrágio do purgatório! É a Mãe bendita quem inspira estes bons desejos e resoluções. Não tem Ela nas mãos os corações de seus filhos? Um dia um santo Irmão coadju­tor da Companhia de Jesus orava fervorosamente diante de uma imagem da Virgem Imaculada. Enquanto rezava, veio-lhe um certo escrúpulo do pouco zelo que tinha em orar e sufragar as almas do purgatório. Uma voz misteriosa lhe disse, então:
— “Meu filho, meu filho, lembra-te dos defuntos!
—Sim, minha Mãe, o farei doravante, respondeu o piedoso Irmão. E desde aquele dia se entregou às boas obras e sacrifícios e orações pelas almas.
Quantas vezes Nossa Senhora em tantas revelações particulares pediu orações pelos mortos! Ain­da em Fátima recomenda aos Pastorinhos a jaculatória: "Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do in­ferno, aliviai as almas do purgatório, especialmente as mais abandonadas!”

Maria, pois, ajuda os fiéis do purgatório inspirando sufrágios aos seus filhos da terra e depois, oferecendo por estas almas cativas, não as satisfações atuais, pois no céu não há sofri­mento nem expiação, mas o que Ela padeceu e mere­ceu neste mundo. Haverá maior tesouro depois dos méritos de Cristo que os méritos de Maria?

Maria Santíssima, pois, por estes dois meios po­de e realmente socorre as almas. A Igreja, na sua liturgia, confirma esta piedosa crença e esta verdade consoladora quando assim ora na Missa dos Defun­tos: “Ó Deus que perdoais aos pecadores e desejais a salvação dos homens, imploramos a vossa clemên­cia por intercessão da Bem-aventurada Maria sempre Virgem, e de todos os Santos em favor de nossos ir­mãos, parentes e benfeitores que saíram deste mun­do, a fim de que alcancem a bem-aventurança eterna”.
Por terem as almas maior precisão de socorro, escreve Santo Afonso de Ligório, empenha-se a Mãe de Misericórdia com seio ainda mais intenso em au­xiliá-las. Elas muito padecem e nada podem fazer por si mesmas. Diz São Bernardino que Maria desce ao cárcere do purgatório onde tem certo domínio e poder para aliviar e libertar estas esposas de Jesus Cristo. Trás alívio às almas. Aplica-lhes o Santo es­ta palavra do Eclesiástico: Caminho por sobre as on­das do mar. Compara as ondas às penas da pur­gatório, porque são transitórias, e por isso diferentes das do inferno, que nunca passam. Chama-as ondas do mar porque são penas muito amargas. Os de­votos da Virgem, aflitos com estas penas, são por Ela visitados e socorridos frequentemente. Eis, pois como socorre Maria as almas do purgatório.

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